quarta-feira, setembro 5

Alma embriagada

Gostar de ti foi um estado intermédio entre o que sou e um punhado de palavras vulgares.
Gostar de ti foi ter-te ou não te ter, enquanto esperava na linha branca da rebentação das ondas e o vento frio soprava no fogo que queimava o meu coração.
A dormência profunda não me deixou ver aquilo que era claro como a luz do dia, nem sequer me deixou ouvir o que era suposto ouvir. E, numa ilusão alastrada, não percebi, assim, a linguagem secreta falada entre corações e deixei escapar a areia por entre os dedos.
Para ti nunca fui fácil de compreender e, agora, orgulho-me disso porque foi isso que me permitiu deixar-te sem nunca olhar para trás. Nunca percebeste ou quiseste tentar perceber o meu silêncio que a nada mais é devido, senão, às gerações de silêncio e de retração,  que embebidas em cada célula do meu corpo, rasgam em pedaços as emoções que o vento leva ainda antes que estas se transformem em sons ou gestos. Mas, também, nada disso importa. Pelo menos, agora já não. Porque à luz do dia a tua magia não resulta.  Contudo, à noite, é envolvida numa demência desmedida que te vejo atravessar a passagem para as estrelas e, irremediavelmente, para o meu coração. Tu - o maior fingidor do mundo!
Eu sempre fui um pêndulo que continua a oscilar, de um lado para o outro, sem alcançar o meio termo - o equilíbrio –, por isso nunca tentei separar o sangue arterial do sangue venoso, o claro do escuro, quanto mais tentar impedir-te de voltares para o meu coração.
E foi assim, que aprendi que ainda que disfarçada de amor, a paixão não sabe esperar e muito menos sabe compreender.
O amor é um caminho em que, passo a passo, vamos sendo refinados e nos aproximamos da tangente que raspa a perfeição.
Mas, gostar de ti foi um silêncio que faz barulho ao ficar preso na boca, quando o peito reivindica todas as palavras.
Gostar de ti foi partir no escuro e na confusão e permanecer no escuro e na confusão.
Mas, o verdadeiro amor sabe esperar.

7 comentários:

Pedro Luis López Pérez disse...

A pesar de la oscuridad y la confusión, de los momentos agridulces, de las cimas que subimos a lenta velocidad...ese Amor sabrá Esperar, porque es verdadero y no entiende de tinieblas perecederas.
Preciosas Palabras y Reflexiones, Sara.
Un abrazo.

Por Amor disse...

Sara querida ...quão belas e sabias são as tuas palavras ...fiquei muito muito tocado por elas...a sensibilidade vibra e reflui no seu discorrer de tão linda forma que me impressionou ...!!!Muito !!! e a mim inspirou !!! olha eu havia fechado o meu dia ... e voltei para ver se a minha postagem estava legal !!! Ganhei este presente teu ... Obrigado por ser quem ´´es e coloca !!! Que DEUS te dê uma bela noite ...Parabéns Pedro Pugliese

Zoey disse...

obrigado por seguires :)

Zoey disse...

fico tão contente, a sério :)
beijinhos, zoey

Ana Rita disse...

adorei, sigo :)

Ana Rita disse...

ainda ontem tive a certeza disso mesmo. nao queria acreditar, foi um desgosto bastante grande mas se assim tiver de ser ira ser.

Ana Rita disse...

exactamente e é isso que estou a fazer, está a custar bastante mas já não há nada a fazer senão seguir..